quinta-feira, 10 de abril de 2008

JEQUITIBÁS OU EUCALIPTOS ?

IDENTIFICANDO O AUTÊNTICO EDUCADOR CRISTÃO

Por: Marcos Tuler

Certamente você já ouviu esta celebre frase: “Educação não é profissão, é vocação.” O que quer dizer isto? Educar não é somente professar, instruir, ensinar? Absolutamente não! A nobre tarefa de educar vai além das raias da informação ou simples instrução. Educar tem a ver com transmissão; assimilação de valores culturais, sociais e espirituais.
Quem exerce apenas tecnicamente a função de ensinar não tem consciência de sua missão educativa, formadora de pessoas e de “mundos”. Se educar não é sinônimo de ensinar, nos vemos no dever de refletir: Quem ensina? E quem realmente educa? Em que categoria e sentido as funções do professor diferem das do educador? Professores são como eucaliptosO educador não deve ser considerado um simples professor, na acepção daquele que apenas ensina uma ciência, técnica ou disciplina. Educadores e professores possuem função e natureza distintas.
Eles não são forjados no mesmo forno. E se de fato não são de mesma natureza, de onde vem o educador? Qual a sua procedência? Tem ele o direito de existir? Como pode ser constituído? “Não se trata de formar o educador, como se ele não existisse”, diz o professor Rubens Alves. “Como se houvesse escolas capazes de gerá-lo ou programas que pudessem trazê-lo à luz. Eucaliptos não se transformarão em jequitibás, a menos que em cada eucalipto haja um jequitibá adormecido: os eucaliptos são árvores majestosas, bonitas, porém absolutamente idênticas umas às outras, que podem ser substituídas com rapidez sem problemas.
Ficam todas enfileiradas em permanente posição de sentido, preparadas para o corte e o lucro”. Educadores são como jequitibásProssegue o mestre Alves, “os eucaliptos são símbolos dos professores, que vivem no mundo da organização, das instituições e das finanças. Os eucaliptos crescem depressa para substituírem as velhas árvores seculares que ninguém viu nascer e nem plantou. Aquelas árvores misteriosas que produzem sombras não penetradas, desconhecidas, onde reside o silêncio nos lugares não visitados.
Tais árvores possuem até personalidade como dizem os antigos”. Os educadores são como árvores velhas, como jequitibás, possuem um nome, uma face, uma história. Educador não pode ser confundido com professor. Da mesma forma que jequitibás e eucaliptos não são as mesmas árvores, não fornecem a mesma madeira.Como identificar os autênticos educadores cristãosHá diferença entre professores e educadores no que se refere a práxis do ensino cristão? Como podemos distingui-los, identificá-los? É suficiente dominar métodos, procedimentos e técnicas didáticas ou ser um expert em comunicação? Óbvio que não! Este tema, romanticamente discutido e refletido no âmbito da educação secular, assume maior importância e dimensão no da educação cristã. Nenhum educador cristão deve fracassar diante da tentação de apenas manter seus alunos informados a respeito da Bíblia e da vontade de Deus. Antes deve torná-los, através da influência do próprio exemplo, praticantes da Palavra e perseguidores da vontade divina.Educadores têm convicção de sua chamadaCom o intuito de edificar e aperfeiçoar sua Igreja, Cristo concedeu vários dons aos homens e, dentre eles, o de mestre: “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11,12). Segundo o comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal, “mestres são aqueles que recebem de Deus um dom especial para esclarecer, expor e proclamar a Palavra de Deus”. Isto significa que, além da vocação e das aptidões naturais para o magistério, o ensinador cristão precisa ter convicção plena de sua chamada específica para o ministério de ensino cristão. Educadores são dedicados ao ministério de ensinoMuitos são freqüentemente colocados à frente de uma classe por seus líderes, mas não receberam de Deus a confirmação de sua chamada. Não sabem realmente porque foram colocados naquela função. Como identificar os professores genuinamente chamados para serem educadores? Os chamados, enquanto ensinam, sentem seus corações inflamarem pela atuação poderosa do Espírito Santo. Eles amam intensamente sua missão. Têm dedicação em sua prática docente: “...se é ensinar, haja esmero ao ensino” (Rm 12.7b). E o que significa esmero? Esmero significa integralidade de tempo no ministério de ensino, ou seja, estar com a mente, o coração e a vida totalmente voltados para esse mister. Ser ensinador cristão é diferente de ocupar o cargo de professor. Envolve chamada específica e capacitação divina.Educadores mantêm comunhão real com CristoOutra característica que diferencia o educador cristão de um simples técnico de ensino, é que o primeiro, mantém um relacionamento real com o Senhor Jesus. Em outras palavras, significa que Cristo é, em primeiro lugar, seu salvador pessoal, salvou-o de todo o pecado e é também Senhor e dono da sua vida. Há professores que não têm certeza da própria salvação, como poderão ensinar Soteriologia? Outros não oram, não lêem a Bíblia e não têm vida devocional. São técnicos! No magistério cristão, de nada adianta ensinar o que não sente e não vive. O educador nunca ensinar aquilo que não está disposto a obedecer.Educadores seguem o exemplo de CristoA melhor maneira de unirmos as funções de professor e educador é seguirmos o exemplo de Jesus. Ele foi, em seu ministério terreno, o maior professor e pedagogo de todos os tempos; usou todos os métodos didáticos disponíveis para ensinar: costumava, por exemplo, fazer perguntas para induzir a audiência a dar a resposta correta que Ele buscava; fazia indagações indiretas exigindo que seus discípulos comparassem, examinassem, relembrassem e avaliassem todos os conteúdos; exemplificava com parábolas, contava histórias e usava vários métodos criativos. Conforme declarou LeBar, citado por Howard Hendricks no Manual de Ensino, CPAD, “Jesus Cristo era o Mestre por excelência, porque ele mesmo encarnava perfeitamente a verdade. [...] Ele entendia perfeitamente seus discípulos, e usava métodos perfeitos para mudar as pessoas individualmente e sabia como era a natureza humana e o que havia genericamente no homem (Jo 2.24,25).” Jesus ensinava complexidades usando a linguagem simples das coisas do dia-a-dia. Sua linguagem sempre era tangível à experiência das pessoas – emprego, problemas pessoais, costumes, vida familiar, natureza, conceitos religiosos etc. Seus instrumentos pedagógicos eram os campos, as montanhas, os pássaros, as tempestades, as ovelhas. Em suma, qualquer coisa que estivesse ao seu alcance Ele usava como ferramenta de ensino.Educadores nunca cessam de aprenderUm autêntico educador, ao contrário de certos professores que se sentem “donos do saber”, são humildes e estão sempre com disposição para aprender. Ele não se esquece que o homem é um ser educável e nunca se cansa de aprender. Aprendemos com os livros, com nossos alunos, com as crianças, com os idosos, com os iletrados, enfim, aprendemos enquanto ensinamos. Não há melhor maneira de aprender do que tentar ensinar outra pessoa. O professor-educador deve estar atento a qualquer oportunidade de aprender. Quando não souber uma resposta, é melhor ser honesto e dizer que não sabe. A ausência do orgulho diante da realidade de “não saber”, facilita e promove a aprendizagem.Educadores exercem liderança positivaLiderança positiva é outra peça-chave na constituição dos educadores cristãos autênticos. Tendo consciência ou não, quem ensina sempre exerce liderança sobre quem aprende. Essa liderança, será positiva ou negativa, em função da postura espiritual assumida pelo educador. Os ensinamentos, conceitos, princípios e conselhos ministrados aos seus alunos, dificilmente deixarão de influenciá-los. De que modo pode o professor evidenciar liderança positiva? Eis algumas dicas:a) Apoiando o pastor de sua igreja;b) Dando assistência aos cultos; c) Participando efetivamente no sustento financeiro da obra de Deus (dízimos e ofertas); d) Integrando-se à igreja: presença e atividades nos cultos;e) Mantendo-se distante dos “ventos de doutrinas”;f) Sendo eticamente correto;g) Vivendo o que ensina (personificar a lição);h) Tendo um lar cristão exemplar;i) Apoiando a missão e a visão da igreja local;j) Não usando a sala de aula para promover revoltas e dissoluções.l) Colocando como alvo o nascimento de uma nova classe a cada ano.m) Colocando como alvo a geração de novos professores a cada ano.Como nos referimos em tópico anterior, o ministério de ensino exige dedicação integral do professor: “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de pregar Jesus Cristo” (At 5.42). Cabe aos educadores cristãos a responsabilidade de instruir, guiar e orientar o caminho de outros servos de Deus. O professor que não se limita a dar instruções, precisa ser cada vez mais consciente de sua tarefa, não no sentido de mera assistência, mas em suas atitudes e atos em relação à obra de Deus e a Cristo.
O resultado desta missão será energicamente cobrado. Chegará o dia em que cada obreiro do ensino dará contas de si mesmo a Deus: “...cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12).

Textos para Reflexão:

ESCOLA DOMINICAL - PRIMEIRO MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO POPULAR
Zeni Soares

Corria o ano de 1780, na Inglaterra. Nas prisões, os presos viviam em condições desumanas. Nas casas, os escravos eram tratados com crueldade. Nas escolas que eram organizadas pelo governo, a maior confusão.Nas minas e fábricas, milhares de crianças trabalhavam até quatorze horas por dia, sem legislação que as protegesse e sem tempo e oportunidade de brincar e freqüentar uma escola.Nas ruas, a pobreza andava solta.Na cidade inglesa de Gloucester, Robert Rakes, filho e neto de donos de jornal, estava muito preocupado. O índice de criminalidade crescia a cada dia.Rakes começou a visitar as prisões e pesquisar o por quê dos crimes. Percebeu que a maioria deles ocorria no domingo, dia em que muitas crianças perambulavam pelas ruas, sem ter o que fazer.
Concluindo que a criminalidade era filha da ignorância e do ócio, Rakes resolveu cortar o mal pela raiz: decide criar escolas para as crianças perambulantes.Em setembro de 1780, Rakes organiza o Movimento das Escolas Dominicais. Do currículo, constava alfabetização, leitura e estudo da Bíblia e do catecismo, etc.A primeita Escola Dominical começou a funcionar na casa de uma senhora, que passou a receber um salário semanal para atender às crianças.
A Escola Dominical se espalha e continua sem apoio institucional. Ela se mantém através de contribuições de cidadãos "proeminentes", principalmente os empregadores...
Uma comissão é formada para selecionar os livros e escolher professores, assistentes, supervisores.
Em dois anos, a Escola Dominical tinha duzentos e cinquenta mil alunos. Em três, a Inglaterra e o País de Gales tinham trinta mil Escolas Dominicais.
As reuniões eram feitas geralmente nas salas das Igrejas. Cada grupo se organizava como achava melhor.
O horário de funcionamento era das dez às doze horas, com intervalo para almoço; retornavam ás treze horas e iam até as dezessete horas e trinta minutos, com novo intervalo para lanche. O encerramento era às dezoito horas, com culto vespertino.
Hoje, são passados mais de duzentos anos desde que este movimento de educação popular começou. No Brasil, há milhares de Escolas Dominicais funcionando nas Igrejas, nas casas, ao ar livre.

Que papel estas Escolas Dominicais estão desempenhando num país onde...... as prisões continuam em situação desumana;... novo tipo de escravidão se instituiu: milhões de trabalhadores dão seu suor e sangue em troca de um salário de fome;... as escolas são privilégio de uma minoria;... milhões de crianças são carentes e continuam perambulando pelas ruas à procura de meios de sobrevivência;... o índice de criminalidade continua altíssimo;... a cada dia mais crianças entram no mercado de trabalho, com jornada de mais de quarenta horas semanais, recebendo, a grande maioria destes menores, menos de um salário mínimo por mês;... a pobreza já fez "doutoramento".

O QUE A ESCOLA DOMINICAL, O MAIOR MOVIMENTO LEIGO DE TODOS OS TEMPOS E O ESPAÇO PROPÍCIO À EDUCAÇÃO POPULAR TEM A DIZER, HOJE É parar, pensar e começar a agir!

Vida Espiritual das Crianças

Família – principal influência na vida espiritual da criança

A família é, com certeza, a principal influência na vida espiritual das crianças. Como diz em Dt 6.7, cabe aos pais ensinar a Palavra de Deus aos filhos. Neste contexto a igreja é apenas um aliado poderoso no crescimento espiritual de nossas crianças. Portanto, deixaremos aos pais algumas orientações importantes para que todos possam ser bem sucedidos nesta maravilhosa missão que é educar, ensinar.Seja exemplo – os filhos aprendem muito mais com o comportamento dos pais do que ouvindo seus conselhos e lições.Sempre conte, mostre para os filhos as maravilhas que Deus tem realizado em suas vidas.Ensine o seu filho a ter amor pela Palavra de Deus – leia a Bíblia com ele e também para ele mesmo que pareça que não está entendendo as parábolas, os conceitos.
Lembre sempre o seu filho de levar a Bíblia para a igreja até que ele adquira o hábito e, durante os cultos, ajude-o a procurar o versículo mesmo que ainda não saiba ler – já que a criança gosta de participar, de interagir.Oração – não ore apenas por seu filho, mas com o seu filho. Ore, também, pelos professores da Escola Bíblica Dominical (EBD) e do Ministério Infantil que estarão levando a Palavra de Deus ao coração das crianças.Se envolva com as atividades dos filhos na igreja. Faça perguntas sobre o que ele aprendeu na Escola Bíblica, nas atividades do Ministério Infantil ou mesmo nos outros cultos que a criança participa.Ensine seu filho a ter amor, respeito pela casa Deus e pelos nossos pastores.É importante, também, que as crianças permaneçam no culto para aprender a se comportar e a ter respeito pelas atividades que estão sendo realizadas durante o culto (se a criança é muito pequena traga alguma coisa para que ela possa se ocupar, mas que não atrapalhe o culto).
Ensine o seu filho sobre o dízimo e a ofertar.Incentive, cultive a comunhão de seu filho com outras crianças da igreja.Não podemos descuidar, precisamos fazer alguma coisa todos os dias para que nossos filhos cresçam na graça e no conhecimento de Cristo. Precisamos plantar sementes espirituais na vida de nossas crianças, lembrando sempre que a colheita não vai ser imediata, pois o nosso alvo não é o imediato, mas sim o eterno.Não subestime, não limite a capacidade espiritual e o potencial das crianças. Davi era só um menino quando derrubou Golias; Josias se tornou rei de Judá quando ainda era uma criança.
Busquemos a direção de Deus para que ele nos dê sabedoria, discernimento e que possa abrir os nossos olhos espirituais para que possamos enxergar a maneira como estamos agindo em relação a vida espiritual de nossos filhos.

Dra. Liana Cristina M. Carneiro CostaCirurgiã-dentista. Membro e Líder do Ministério Infantil da Comunidade Reviver em Cristo em Divinópolis (MG) lianamcosta@yahoo.com.br