sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Seja tia Segundo o Coração de Deus


Você, provavelmente, pode pensar em homens e mulheres da Bíblia que tinham o coração segundo Deus, que caminharam segundo o Senhor. Mas há também uma quantidade de crianças na Bíblia que tinham o coração segundo Deus, das mais variadas faixas etárias, desde pré-escolares e pré-adolescentes até jovens adultos. Essas crianças amaram e serviram a Deus de várias maneiras. E cada uma de suas histórias tem lições para nós como mães segundo o coração de Deus, independente da idade de nossos alunos.

SAMUEL – todos, desde as criancinhas até as avós, gostam da mesma maneira da história da resposta do menino Samuel ao chamado de Deus. (Você pode ler sobre essa parte da vida de Samuel em 1Samuel 3.1-21). Isso é o que sonhamos para o desenvolvimento de nossos alunos... Que eles nunca saibam o que é não amar e não seguir a Deus. Esta é a maneira como vejo Samuel. Ele é um jovem menino como muitos que, com cerca de doze ou treze anos, crê, ouve o chamado de Deus.... e responde a Ele. O que tornou Samuel uma criança segundo o coração de Deus? Em 1Samuel 3, lemos que: O Senhor Chamou: Samuel! Samuel!Ele respondeu: Eis-me aqui.Depois veio o Senhor, parou e Chamou como das outras vezes...Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve (v.4.10).De onde surge um coração desses? Certamente, primeiro e principalmente, ele vem do próprio Deus. Ele é o Executor e o Criador de todas as coisas , inclusive o coração que ouve, escuta, responde e corresponde a Ele.


Davi - Foi o primeiro homem segundo o coração de Deus (veja 1 Samuel 13.14). Mas ele também foi um menino segundo o coração de Deus. Os estudiosos acreditam que Davi tinha entre dez e dezesseis anos quando Samuel, que cresceu para ser um profeta e sacerdote, o ungiu para ser rei de Judá. O jovem foi criado para ser pastor. E lá, no declive das ondulantes colinas de Judá, Davi, já um jovem apaixonado por Deus, enquanto tomava conta das ovelhas de seu pai, escreveu orações para Deus e as cantou ao Senhor em seu instrumento de cordas. Um estudioso, quando concluiu o estudo sobre a vida de Davi, escreveu: “ É impossível superestimar as grandes coisas que se tornam possíveis quando uma jovem vida é entregue ao Deus Todo-Poderoso”.E de onde vem um coração tão brando para Deus em um menino pequeno? É claro, isso começa no plano soberano de Deus. Mas observe também a árvore genealógica espiritual de Davi: Salmom [que casou com Raabe] gerou a Boaz e Boaz [que casou com Rute] gerou a Obede, Obede gerou Jessé, e Jessé gerou a Davi (Rt 4.21-22).Esses homens e mulheres, maridos e esposas, pais e mães e avós cheios de fé e eram usados por Deus. A Bíblia não nos conta muito sobre os pais de Davi, mas nos conta sobre a linhagem de Davi e sobre seu amor por Deus desde a sua juventude... Bem como seu conhecimento de Deus veio de alguma fonte fiel e obediente.


Daniel e seus amigos – Todos amam também a incrível narrativa de Daniel e de seus três amigos – Sadraque, Mesaque e Abede-Nego – levados cativos para a Babilônia pelo rei Nabucodonosor, lá eles foram selecionados para uma cuidadosa instrução para servir o rei. Afirmo que eles eram “ o melhor dos melhores” porque os jovens, para ser preparado para o serviço governamental real, tinham de ser bonitos, fisicamente perfeitos, mentalmente espertos e socialmente equilibrados e polidos (Daniel 1.4). Mas você sabia que muitos estudiosos acreditam que esses quatro amigos, no início do livro de Daniel, eram adolescentes, “crianças... com certeza de catorze ou dezessete anos?.E quem era os pais de Daniel e de seus amigos? Ninguém sabe com certeza. Mas eis aqui o que sabemos. Esses quatro prisioneiros eram “filhos de Israel” (v.3): descendentes do patriarca Jacó. Eles também eram de linhagem real. Em outras palavras, eles eram da família de Davi.Na adolescência quando tantos jovens questionam ou fogem de sua criação, esses jovens fizeram o oposto. De fato, eles queriam tomar a decisão que honrava a Deus e permaneceram firmes em sua fé....mesmo que isso significasse a morte.


Timóteo – eis aqui outro jovemHomem segundo o coração de Deus. Quando Timóteo estava, muito provavelmente, no fim da adolescência ou início da década dos vinte anos, o apóstolo Paulo se referiu a ele como “ meu verdadeiro filho na fé “ (1TM 1.2). com o tempo, esse jovem tornou-se discípulo de Paulo e o braço direito desse apóstolo. Como isso aconteceu? E, de qualquer maneira, quem era Timóteo? Eis aqui o que sabemos sobre sua família.v O pai de Timóteo era gentio e “grego” (AT16.1) e não acreditava em Jesus Cristo.v A avó de Timóteo, Loide, era uma judia que conhecia e compreendia o Antigo Testamento muito bem para responder ao evangelho de Cristo quando Paulo e Barnabé vêm à cidade dela (At. 14.6,7,21,22).v A mãe de Timóteo, Eunice, era “uma judia crente” (At. 16.1) e ajudou sua mãe Loide abraçar Cristo como seu Salvador.v Sobre Eunice e Loide, Paulo escreveu para Timóteo: “[...] trazendo à memória a fé não fingida que há em ti, a qual habitou primeiro em tua avó Loide, e em tua mãe Eunice e estou certo de quem também habita em ti” (2Tm 1.5).


Você está entendendo isso, querida tia? Como mães segundo o coração de Deus, devemos educar, instruir e aconselhar nossos alunos a cada oportunidade que se apresenta. A verdade de Deus deve ser comunicada a eles. E precisamos orar, orar e orar para que Deus inscreva nosso ensino fiel de sua Palavra no coração de nossos alunos. Pois quem sabe – como Daniel e sua turma – que momentos e escolhas difíceis surgirão para os nossos amados alunos?


Você está animada para viver como tia-mãe o plano de Deus para a sua vida? Encorajada a fazer isso? Sedenta por isso? Fazer as coisas do jeito de Deus sempre é um assunto do coração. Isso inclui escolher focar seu coração em criar seus alunos-filhos da maneira de Deus e orar a cada segundo para que eles desenvolvam um coração segundo Deus.Não importa qual seja sua situação na sala de aula – se seus alunos crêem em Jesus Cristo ou não, se eles são jovens ou mais velhos, se os pais deles são cristão ou não, procure fazer o melhor possível agora. A partir deste segundo, dê o melhor de você.E como você quer que seus alunos-filhos amem e sigam a Deus, foque seu coração em Deus e deixe que seus alunos-filhos vejam que você ama e segue a Deus. Apenas seja tia segundo o coração de Deus. Ele a ajudará a cuidar de tudo o mais.

Extraído do Livro:“Mãe Segundo o coração de Deus”Elizabete George

domingo, 14 de junho de 2009

SER PASTOR





Qual o sentido dessa palavra? Ser pastor! Uma afirmação tão pequena, mas repleta de tanto significado!Ser pastor é muito mais que ser um pregador. Está além de ser um administrador de igreja. Muito além de professor ou conferencista.


Ser pastor é algo da alma, não apenas do intelecto.


Ser pastor é sentir paixão pelas almas. É desejar a salvação de alguém de forma tão intensa, que nos leve à atitude solidária de repartir as boas-novas com ele. É chorar pelos que se mantém rebeldes. É pensar no marido desta irmã, no filho daquela outra, na esposa do obreiro, nos vizinhos da igreja, nos garotos da rua. Ser pastor é tudo fazer para conseguir ganhar alguns para Cristo.


Ser pastor é festejar a festa da igreja. É alegrar-se com a alegria daquele que conquista um novo emprego, daquele que gradua-se na faculdade, daquele que recebe a escritura da casa própria ou do outro que recebeu alta no hospital.


Ser pastor é ter o brilho de alegria ao ver a felicidade de um casal apaixonado, ao ver o sucesso na vida cristã de um jovem consagrado, é festejar a conversão de um familiar de alguém da igreja por quem há tempos se vinha orando.


Ser pastor é desejar o bem sem cobiçar para si absolutamente nada, a não ser a felicidade de participar dessa hora feliz.


Mas ser pastor também é chorar. Chorar pela ingratidão dos homens. Chorar porque muitas vezes aqueles a quem tanto se ajudou são os primeiros a perseguirem- nos, a esfaquearem- nos pelas costas, a criticarem-nos, a levantarem falso testemunho contra a igreja e contra nós. É chorar com os que choram, unindo-nos ao enlutado que perdeu um ente querido, é dar o ombro para o entristecido pela perda de um amor, é ser a companhia do solitário, é ouvir a mesma história uma porção de vezes por parte do carente. Chorar com a família necessitada, com o pai de um drogado, com a mãe da prostituta, com a família do traficante, com o irmão desprezado.Ser pastor é não ter outro interesse senão o pregar a Cristo. É não se envolver nos negócios deste mundo, buscando riquezas, fama e posição. É saber dizer não quando o coração disser sim. É não ir à casa dos ricos em detrimento dos pobres. É não dar atenção demasiada para uns, esquecendo-se dos outros. É não ficar do lado dos jovens, em detrimento dos adultos e vice-versa.


Ser pastor é não envolver-se em demasia com as pessoas, ao ponto de se perder a linha divisória do amor e do respeito, do carinho e da disciplina.


Ser pastor é não aceitar subornos nem tampouco desprezar os não expressivos.Ser pastor é ser pai. É disciplinar com carinho e amor, conquanto com a firmeza da vara, da correção e, não raras vezes, da exclusão de pessoas queridas. É obedecer a Bíblia, não aos homens. É seguir a Deus, não ao coração. Ser pastor é ser justo.


Ser pastor é saber dizer não, quando a emoção manda dizer sim. Ser pastor é ter a consciência de não ser sempre popular, principalmente quando tiver que tomar decisões pesadas e difíceis, e saber também ser humilde quando a bênção de Deus o enaltecer diante do rebanho e diante do mundo. Os erros são nossos, mas a glória é de Deus.


Ser pastor é levantar-se quando todos estão dormindo e dormir quando todos estão acordados, socorrendo ao necessitado no horário da necessidade.


Ser pastor é não medir esforços pela paz. É pacificar pais e filhos, maridos e esposas, sogros e genros, irmãos e irmãs. Ser pastor é sofrer o dano, o dolo, a injustiça, confiando nAquele que é o galardoador dos que o buscam. Ser pastor é dar a camisa quando lhe pedem a blusa, andar duas milhas quando o obrigam a uma, dar a outra face quando esbofeteado.


Ser pastor é estar pronto para a solidão. É manter-se no Santo dos Santos de joelhos prostrados, obtendo a solução para os problemas insolúveis.


Ser pastor é não fazer da esposa um saco de pancadas, onde descontar sua fragilidade e cansaço. Ser pastor é ser sacerdote, mantendo sigilo no coração, mantendo em segredo o que precisa continuar sendo segredo, e repartindo com as pessoas certas aquilo que é "repartível".


Ser pastor é muitas vezes não ser convidado para uma festa, não ser informado de uma notícia ou ser deixado de fora de um evento, e ainda assim manter a postura, a educação, o polimento e a compaixão.


Ser pastor é ser profeta, tornar o seu púlpito um "assim diz o Senhor", uma tocha flamejante, um facho de luz, uma espada de dois gumes, afiada e afogueada, proclamando aos quatro ventos a salvação e a santificação do povo de Deus.


Ser pastor é ser marido e ser pai. É fazer de seu ministério motivo de louvor dentro e fora de casa. É não causar à esposa a sensação de que a igreja é uma amante, uma concorrente, que lhe tira todo o tempo de vida conjugal.


Ser pastor é amar aos seus filhos da mesma forma que ensina aos pais cristãos amarem aos seus. É olhar para os olhos de seus filhos e ver o brilho de seus próprios olhos. É preocupar-se menos com o que os outros vão pensar e mais no que os filhos vão aprender, sentir e receber. É ver cada filho crescer, dando a cada um a atenção e o amor necessários. É orgulhar-se de ser pai, alegrar-se por ser esposo, servir de modelo para o povo. E, quando solteiro, tornar a sua castidade e dignidade modelo dos fiéis, enaltecendo ao Senhor, razão de sua vida.


Ser pastor é pedir perdão. Se os pastores fossem super-homens, Deus daria a tarefa pastoral aos anjos, mas preferiu fazer de pecadores convertidos os líderes de rebanho, pois, sendo humanos, poderiam mostrar aos demais que é possível ser uma bênção. Mas, quando pecarem, saberem pedir perdão. A humildade é uma chave que abre todas as portas, até as portas emperradas dos corações decepcionados. A humildade pode levar o pastor à exoneração, como prova de nobresa e integridade, como pode fazê-lo retomar seus trabalhos com maior pujança e vigor. Há pecados que põem fim a um ministério e ser pastor é saber quando o tempo acabou. Recomeçar é possível, mas nem sempre.


Ser pastor é saber discernir entre ficar ou sair, entre continuar pastor e recolher-se respeitosamente.Ser pastor é crer quando todos descrêem. Saber esperar com confiança, saber transmitir otimismo e força de vontade. É fazer de seu púlpito um farol gigantesco, sob cuja luz o povo caminha sempre em frente, para cima e em direção a Deus.


Ser pastor é ver o lado bom da questão, é vislumbrar uma saída quando todos imaginarem que é o fim do túnel. Ser pastor é contagiar, e não contaminar. Ser pastor é inovar, é renovar, é oferecer-se como sacrifício em prol da vontade de Deus.


Ser pastor é fazer o povo caminhar mais feliz, mais contente, é fazer a comunidade acreditar que o impossível é possível, é fazer o triste ser feliz, o cansado tornar-se revigorado, o desesperado ficar confiante e o perdido salvar-se. As guerras não são ganhas com armas, mas com palavras, e as do pastor são as palavras de Deus, portanto, invencíveis.


Ser pastor é saber envelhecer com dignidade, sem perder a jovialidade. É ser amigo dos jovens e companheiro dos adultos. Ser pastor é saber contar cada dia do ministério como uma pérola na coroa de sua história. Ser pastor é ser companhia desejada, querida, esperada. É saber calar-se quando o silêncio for a frase mais contundente, e falar quando todos estiverem quietos. Ser pastor é saber viver.


Ser pastor é saber morrer.E quando morrer, deixar em sua lápide dizeres indeléveis, que expressem na mente de suas ovelhas o que Paulo quis dizer, quando estava para partir: "combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé".


Ser pastor é falar mesmo depois de morto, como o justo Abel e o seu sangue, através de sua história, de seu exemplo, de seus escritos, de suas gravações.


Ser pastor é deixar uma picada na floresta, para que outros venham habitar nas planícies conquistadas para o Reino do Senhor.


Ser pastor é fazer com que os filhos e os filhos dos filhos tenham um legado, talvez não de propriedades, dinheiro ou poder político, mas o legado do grande patriarca da família, daquele que viveu e ensinou o que é ser um pastor.




Eu sou pastor. Obrigado, Senhor!

Transcrito do Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP